“Em meados da década de 1870, Machado de Assis já desfrutava do prestígio de ser um dos autores mais importantes do país, ao lado de nomes como José de Alencar e Joaquim Manuel de Macedo. Todavia, entre 1880 e 1881, a carreira de Machado tomou um rumo inesperado: com a publicação de “Memórias póstumas de Brás Cubas”, aquele que seria nosso maior prosador elevou a literatura brasileira a um novo patamar, e seus ecos persistem até os dias de hoje. Na obra, o finado Brás Cubas decide contar sua história por uma ótica bastante inusitada: em vez de começar pelo seu nascimento, sua narrativa inicia-se pelo óbito. Enquanto rememora as experiências que vivera, entre uma digressão e outra, o defunto-autor tece uma série de reflexões sobre a vida e sobre a sociedade da época, com serenidade e bom-humor, e o leitor se surpreenderá ao constatar a atualidade de suas observações. “Memórias póstumas de Brás Cubas” pôs em xeque o conceito de Realismo literário, de romance e a própria forma de se fazer literatura. Divisor de águas na literatura brasileira, é uma obra à qual não se pode ficar indiferente.“
"Esse romance, publicado em 1881, marca o início do Realismo no Brasil. Em vez de oferecer uma trama cheia de peripécias e lances de suspense e emoção, como faziam os outros escritores da época, Machado apresenta uma história lenta, repleta de digressões e narrada de maneira irreverente e irônica por um "defunto autor". Todo escrito em capítulos curtos, o romance começa com Brás Cubas, o narrador, contando a própria morte; depois, em retrospectiva, ele vai narrando os momentos principais de sua vida. Recorda sua paixão juvenil pela prostituta Marcela, que o amou "durante quinze meses e onze contos de réis". O pai, assustado com as despesas do filho, decide separá-lo de Marcela e o envia a Portugal, para terminar os estudos. Brás volta doutor e logo se envolve com Virgília. Mas o namoro não o entusiasma e ela acaba se casando com Lobo Neves. Brás fica solteiro e, anos depois, reencontra Virgília e se tornam amantes. Esse amor clandestino termina quando Lobo Neves é transferido do Rio de Janeiro. Depois de um tempo, quando o casal retorna, Brás e Virgília não reatam seu relacionamento amoroso. Brás não tem um projeto definido para sua vida. Muito rico, não precisa trabalhar, e vai vivendo ao sabor das circunstâncias, desiludindo seu pai, que morre sem vê-lo brilhar na vida. Brás faz amizade com um sujeito metido a filósofo chamado Quincas Borba, que mais tarde acaba enlouquecendo. Aos sessenta e quatro anos, Brás Cubas pega uma pneumonia e morre."
Edição em ótimo estado para a data de publicação!